Sou uma limpadora, ando por muitos lugares,venho de outros tempos, estou agora em lugares que muitos não gostariam de estar. Mas esse é o meu papel, o meu destino, o meu fardo... Cada um tem a sua missão e essa é a minha.
Meu vestido tem muitas bandas e arrasta pelo chão, gosto dessa cor vinho escuro nele.
Ando com os pés no chão porque quero e gosto, é para sentir o que me sustenta e sempre ter a concsciência do lugar que estou caminhando. Sentir a energia, sentir as dores que aqui estão e com meu vestido arrastando pelo chão, vou limpando, vou banindo e vou deixando um rastro por onde passo, é meu sinal para aqueles que vierem e quiserem me seguir. Eu ajudo, entrego uma estrada, mas o caminhar é de cada um e tem que querer caminhar .E assim que assumir isso, tem que deixar o passado para trás; a sujeira para trás, as magoas para trás e caminhar aberto para o novo. Eu vou ser a guia, mas eu não pego pelas mãos.
Estou agora nas montanhas, poucas pessoas aqui, meu trabalho é solitario e esse é o meu fardo. Não reclamo, tenho quem me guia.
E meu guia também se estende como mãos, mas também me protege contra todo mal, para eu cumprir o meu serviço de limpeza, faze-lo não por completo e em segurança.
Vou rodando, vou rodando, vou rodando.
Já fui triste, já fui perdido, hoje me encontro dentro do meu servir.
Ei sei de todas as mazelas, eu sei de todas as dores, eu sei de todas as maldades, pois por elas eu já passei. E isso por isso sei como aqueles que querem se limpar. Poucos, poucos, poucos, porque ou fariam o meu trabalho, os lugares que e não cheiram bem, muitos não nascem flores, nem todos aguentam os gases, cores palidas.
Mas no meu rosto você verá um sorriso, como lágrimas já gastei demais. Eu passo sorrindo, cantando, dançando, rodando, rodando, rodando.
Eu sou essa que voçê pensa e também não sou essa que você pensa. Sou companheira, sou festeira, sou firme no meu trabalho, pois quem faz a sujeira não brinca em serviço e eu eu entro e quando penso que estou brincando é justamente quando estou trabalhando...
Já fui maltratada, escravisada, estuprada...
Trago no corpo da alma as marcas, são tatuadas para nunca esquecer as mazelas (maldades) todas humanas, mas também já fui acolhida, me deram água, comida e um acalento. Trago isso no coração para não esquecer a riqueza humana.
Encontro de Psicografia - Segunda-feira - 11 de julho de 2022.
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